Rayssa Mendes não chegou ao Ensina Brasil querendo fundar uma empresa. Chegou com curiosidade, criatividade e uma vontade grande de construir pontes entre saberes, pessoas e oportunidades. O empreendedorismo social veio depois. Mas as sementes foram plantadas na sala de aula.
Historiando: o projeto que nasceu na sala de aula e virou referência
Alumni da turma de 2018, primeira turma do polo ES, Rayssa lecionou História e Geografia para o Ensino Médio em duas escolas estaduais da Grande Vitória. Foi lá que criou o Historiando, um projeto que mobilizou estudantes, professores, lideranças comunitárias e a prefeitura em torno de um objetivo comum: reconstituir a memória do território para combater o estigma de violência.
O projeto revitalizou um ponto viciado de lixo e conectou jovens à história do lugar onde vivem. Foi premiado em primeiro lugar em Ciências Humanas em um edital da FAPES, garantindo bolsas de Iniciação Científica Júnior para estudantes do Ensino Médio. Anos depois de encerrado, um levantamento qualitativo sobre os efeitos do projeto na trajetória dos estudantes que participaram, em suas escolhas, visão de mundo e senso de propósito, teve a publicação aprovada em um periódico acadêmico de excelência.
Quem aprende a mobilizar um ecossistema inteiro dentro de uma escola pública aprende, sem saber, a fazer o que empreendedores sociais fazem.
Manacá Tecnologias Sociais: dados e IA a serviço do impacto socioambiental
Nos anos seguintes, Rayssa fundou a Manacá Tecnologias Sociais, negócio de impacto que desenvolve soluções para medir e potencializar impacto socioambiental, com foco em dados, evidências científicas e, mais recentemente, inteligência artificial.
Entre seus produtos estão a FLORA, que transforma dados em evidências para apoiar organizações na gestão de seus impactos, e o SAÍRA, solução para governos que traz câmeras inteligentes com IA de visão computacional para monitorar resíduos nos grandes centros urbanos e impulsionar a reciclagem e a economia circular.
ResiliêncIA: inteligência artificial para o clima, premiada no AI4GOOD
Não satisfeita, Rayssa também co-fundou o ResiliêncIA ao lado de colegas da rede alumni: uma inteligência artificial para ajudar municípios a criarem seus planos de ação climática.
O projeto foi premiado no programa AI4GOOD da Brazil Conference em 2025, e a rede do Ensina Brasil esteve no centro da parceria que tornou essa conquista possível. Foi o Prêmio Mudar, promovido pelo próprio Ensina Brasil e conquistado pelo ResiliêncIA, que viabilizou a participação de toda a equipe na premiação em Boston.
Em 2025, a iniciativa também possibilitou a participação na COP30 e na Cúpula de Ação para Educação Climática na Bolívia, organizada pela Teach For All, espaços que ampliaram o debate e as oportunidades de rede em torno da educação e da ação climática.
O que a sala de aula ensina sobre empreender
O Trainee Ensina não tem uma disciplina chamada empreendedorismo. Mas dois anos resolvendo problemas reais, mobilizando pessoas com interesses diferentes e criando do zero em contextos de escassez formam exatamente o perfil que qualquer iniciativa de impacto precisa na fundação.
