Existe uma diferença entre conhecer a educação pela lei e conhecê-la pela vida. Ivone Beatriz conhece os dois lados e sua trajetória mostra como a experiência em sala de aula transforma a atuação em políticas públicas educacionais.
Formada em Direito pela UFPB, com complementação pedagógica em Ciências Humanas, Ivone chegou ao polo de Caruaru em 2023 como professora de História e Projeto de Vida na Escola de Tempo Integral Professor Rubem de Lima Barros. O que ela construiu ali revela o tipo de profissional que o Ensina Brasil forma e que a educação pública precisa.
TV Rubem: protagonismo estudantil na prática
Um dos projetos que mais marcou sua passagem pela escola foi a TV Rubem, uma televisão escolar produzida pelos próprios estudantes. A iniciativa ampliou a comunicação da escola e colocou os jovens como protagonistas do próprio ambiente educacional.
Termômetro de comportamento: engajamento que se mede todo dia
Em paralelo, Ivone implementou um termômetro de comportamento com turmas do 6º ano, no qual os alunos avaliavam diariamente suas próprias atitudes e entregas. A prática melhorou engajamento, comportamento e aprendizagem. Cerca de 50 estudantes foram premiados com uma ida ao cinema: para muitos, a primeira vez.
Pequeno para quem olha de fora. Imensurável para quem estava lá.
De professora a formadora de lideranças
Depois do programa, Ivone não foi embora da escola, foi para mais perto dela. Atuou como Consultora de Desenvolvimento de Lideranças do Ensina Brasil no próprio polo de Caruaru, formando os Ensinas que vieram depois.
Hoje é Analista Pedagógica na FGV-DGPE, liderando o projeto de Gestão para a Aprendizagem em parceria com a Secretaria de Educação da Paraíba.
Direito e o chão de escola: a combinação que muda a gestão pública
A formação em Direito deu a Ivone o vocabulário das políticas públicas. O chão da escola deu o que nenhuma graduação consegue: a clareza de quem são as pessoas afetadas por cada decisão tomada nos andares superiores do sistema.
Gestores que já ensinaram fazem políticas públicas diferentes. Não por serem mais empáticos, mas por serem mais precisos.
Que a nossa rede continue sendo um lugar de troca, afeto e coragem, onde educadores se apoiam para seguir acreditando que a educação é, sim, capaz de transformar realidades.
