Professora do Trainee Ensina em sala de aula de escola pública
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6 min de leitura

3 semanas atrás

Trainee Ensina e Comunicação: porque liderança também é sobre saber contar histórias

Graduados em Jornalismo e Relações Públicas encontram na sala de aula o espaço mais desafiador da prática de escuta ativa, síntese de ideias e liderança de impacto social.

Quem escolhe a Comunicação Social como profissão costuma carregar uma inquietação em comum: a fascinação por gente, o desejo de compreender a realidade e a convicção de que uma narrativa bem construída tem o poder de mover o mundo. Seja no Jornalismo ou nas Relações Públicas, é na graduação que se aprende que comunicar é a ponte que conecta universos, traduz contextos e gera impacto e pertencimento.

No mercado de trabalho convencional, muitas vezes essa vocação é sufocada pela busca por cliques, lógicas comerciais rígidas ou estratégias corporativas distantes da transformação social. É nesse cenário que o Trainee Ensina, programa de desenvolvimento de lideranças do Ensina Brasil, surge como uma rota de aceleração de carreira e propósito para comunicadores.

Na sala de aula de uma escola pública em contexto de vulnerabilidade, comunicar torna-se a expressão mais pura de liderança. Antes de ensinar qualquer conteúdo do currículo, é preciso saber escutar o território, traduzir ideias com clareza, gerenciar conflitos e, acima de tudo, ajudar os estudantes a reescreverem suas próprias histórias.

A liderança de Comunicação na Educação

Na teoria da comunicação, a escuta precede a fala. Na gestão de uma sala de aula, essa premissa é o divisor de águas entre o ruído e a aprendizagem real.

Para Ester Caetano, jornalista formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e Ensina da Turma 2026, a decisão de migrar para a educação nasceu da busca por um impacto que ultrapassasse as barreiras do jornalismo tradicional. Ao vivenciar o chão da escola, ela percebeu que as ferramentas da comunicação eram fundamentais para construir uma prática pedagógica dialógica, conta Ester, que está atuando na Escola Municipal de Ensino Fundamental Paulo Reglus Neves Freire, em Vitória (ES):

“A escuta, a leitura de contexto, a construção de narrativas e a capacidade de adaptar a linguagem são ferramentas que levo do Jornalismo para a sala de aula. Ensinar também é comunicar. E, quando a comunicação não chega no outro, precisamos ter disposição para mudar o caminho”.

Ela utiliza metodologias comunicacionais para desenvolver o protagonismo dos alunos. Com outros professores, Ester tem buscado reativar a rádio escolar e conduzido aulas eletivas com o projeto “Fotografia e Reportagem pelo Bairro”, ação em que os próprios estudantes investigam o território onde vivem e constroem narrativas sobre suas realidades.

Da mesma forma faz a também jornalista e Ensina da Turma 2026 Ellen Reis, graduada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ela trabalha na Escola Municipal Professor Rubem de Lima Barros, no polo Caruaru (PE), e reforça que o engajamento de uma turma começa quando o profissional se dispõe a investigar e compreender quem está do outro lado:

“No Jornalismo, aprendi que, antes de contar a história de alguém, é preciso escutar, observar e buscar compreender aquela realidade. Na sala de aula, não consigo pensar em uma educação transformadora sem conhecer quem são os meus estudantes, o que pensam, quais são suas dificuldades e quais sonhos carregam”.

Liderar por meio da comunicação exige escolher a narrativa que será fortalecida. Em muitas comunidades escolares públicas, a história dominante ainda é pautada pelo estigma da escassez, pelo descrédito no futuro ou pelo desinteresse gerado por métodos defasados. 

O papel do comunicador que assume a liderança do ensino é romper esse ciclo, como explica Vagner Vieira. Bacharel em Relações Públicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Ensina da Turma 2026 na Escola Estadual Padre José Scampini, em Campo Grande (MS), ele afirma que:

“A comunicação é a base primordial da sociedade. Vejo que ela exerce um papel fundamental para aproximar a organização, os colaboradores e a comunidade. A comunicação precisa ser clara e humanizada para atingirmos o objetivo do nosso programa: provar que um dia todas as crianças terão uma educação de qualidade”.

Ele utiliza a bagagem técnica para criar aulas dinâmicas e projetos interdisciplinares que estimulam a criatividade dos estudantes, como a produção de reportagens jornalísticas, quizzes literários sobre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e uma encenação teatral do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.

Para ele, assumir o papel de “professor Vagner” é também um ato de representatividade. Homem negro, gay e vindo de periferia, sua própria trajetória serve como a história certa e mostra aos alunos que o conhecimento é o caminho para alterar destinos e construir sonhos.

Um ecossistema de impacto social que move narrativas e transforma realidades

A vivência de dois anos no Trainee Ensina é um acelerador intenso de competências para quem vem da Comunicação. Liderar turmas em ambiente desafiador constrói uma maturidade profissional difícil de ser alcançada em posições corporativas de início de carreira.

Os indicadores da rede do Ensina Brasil demonstram a robustez dessa formação:

94% dos participantes afirmam que o programa desenvolve competências fundamentais para assumir papéis relevantes na transformação social e educacional do país.

88% dos trainees recomendariam a experiência para colegas que buscam desenvolvimento acelerado de liderança e propósito.

86% dos alumni continuam atuando em posições estratégicas no setor público, em organizações do terceiro setor ou em grandes empresas com foco em ESG e sustentabilidade.

A vivência direta no chão da escola oferece o repertório técnico e humano necessário para influenciar, no futuro, a formulação de políticas públicas em escala, comenta Ester:

“A experiência na escola tem me mostrado que, antes de pensar em uma política pública, é preciso conhecer as pessoas que vão viver essa política. É preciso estar no território, ouvir, observar e entender o que os números muitas vezes não conseguem mostrar”.

A missão da Comunicação é criar acesso, e não existe ponte mais urgente e necessária no Brasil do que aquela que conecta jovens a um futuro repleto de possibilidades e autonomia.

Se você é formado em Jornalismo, Relações Públicas ou áreas correlatas, o Trainee Ensina oferece o espaço ideal para colocar seu talento narrativo, sua capacidade analítica e sua empatia a serviço de uma causa transformadora. Seja para seguir na docência, para liderar equipes de comunicação em ONGs e empresas, ou para desenhar políticas públicas educacionais, os dois anos no programa garantem que você nunca mais olhará para o poder das palavras da mesma forma.

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